quarta-feira, 1 de maio de 2013

Flores e outras vergonhas



Por; 365 quase nuncas.


Sim. Mandei flores, bombons e digo mais, um cartão que eu mesma fiz! Eu mal podia imaginar que um dia faria algo assim.. Eu, sendo gentil e dedicada? Pois é, acontecera.
Era uma ex professora, me deu aula por pouco tempo mas já foi o suficiente para eu me encantar. Como ela trabalha bem longe de onde eu moro e eu não conhecia o lugar peguei trem com um buquê de flores, constrangedor demais. Todo mundo fazendo piada, mas eu não me importei e até ria, parecia estar anestesiada. Fiz uma amiga ir comigo e subir 5 andares de escada para entregar-lhe as coisas e ver sua expressão, parecíamos duas crianças correndo pela ruas de um lugar no qual não sabíamos andar com medo de que ela viesse atrás para ver quem era. Mandava mensagens quase todos os dias, em anônimo claro. Não me lembro de me sentir assim antes, em meu peito havia pureza, fascinação.. Nunca fui de importar-me e principalmente mover-me por algo, até mesmo porque sou extremamente tímida. Escrevi até textos eróticos, foi um grande avanço sem dúvidas. Sai da minha zona de conforto e foi um tanto quanto vergonhoso e engraçado. Como o esperado não deu em nada, mas valeu a experiência. Afinal, é uma ótima história pra se contar e rir.

E-mail





“Será que eu tenho o direito de lhe acordar a noite só porque tive um pesadelo ou apenas sonhei com você, acordei assustada com o coração saltando de meu peito? Será que eu tenho o direito de dizer que te amo ainda? E será que você irá ouvir-me, entender que sinto sua falta?”
Era o que pensava Antônia a todo o momento. Ela vagava pela casa já vazia, era clara, porém não havia janelas e portas abertas. Todas aquelas pessoas que passavam por ali, todas indiferentes a ela. Era como se ela fosse invisível, isso a incomodava. Por vezes acordava aos gritos chamando seu amado, Marcos era seu amor, o amado de toda a vida e por toda a vida. Ela não entendia porque ele tinha a deixado ali, sozinha. Ele não ligara, visitara, não mandava cartas ou se quer um recado por alguém.  Em seu pouco tempo de lucidez Antônia tentava encontra-lo por todo canto, com aqueles seus olhos verdes vidrados no nada ela se debatia, chorava e se sentia injustiçada, afinal ela só tinha o amado, o protegido, o cuidava a todo o momento, ela tinha vivido apenas para ele.
Sua última lembrança era de ter lido em um e-mail uma bela proposta de Susan, chefe de Alan. Ela dizia: “Meu amor, não vejo a hora de nos mudarmos para Carolina do Sul. Tenho fé que as coisas hão de se ajeitar e seremos enfim felizes. Eu, você e nosso futuro bebê!   Te amo muito. Beijos.”
Eis que Antônia tentava dia após dia tentando se lembrar de onde ela estava, quem eram aquelas pessoas, onde estava seu amado e porque não havia ninguém conhecido por perto, porque dela estar completamente isolada. Era extremamente difícil já que passava a maior parte do tempo tendo pesadelos ou apenas desligava-se em meio a uma escuridão. Em um de seus sonhos, o mais claro de todos, ela se via em seu antigo apartamento coberta de sangue, ela escorregou em meio aquele mar negro e ao cair ajoelhada percebe alguém na cozinha. Era o corpo de um homem, com a visão turva tenta esfregar os olhos e se arrasta até lá. Toma um enorme susto ao perceber que era Alan, completamente desfigurado, ela mesmo o conheceu pelo cabelo, tipo físico e aliança que tinha seu nome dentro. Ela o sacudiu gritando seu nome e parecia cair partes de seu corpo e irem seguindo o fluxo de sangue por toda cozinha. Acordou limpando-se, pobre Antônia, achava que ainda estava lá, ao lado de seu amado. Rapidamente lembrou tudo que havia feito, lembrou que ela leu aquele e-mail ates que Alan chegasse em casa e sentiu-se um lixo, sentiu-se traída e facilmente substituível. Seus olhos cheios de lágrimas, suas mãos que não conseguiam nem se quer segurar um copo, aquele aperto no peito, aquela dor de saber que estava sendo traída, assim, apunhalada pelas costas e tudo ali, bem na sua cara. Então levantou-se, respirou fundo e preparou um belo jantar. O favorito de Alan, costelas assadas com molho de churrasco, salada de ervilha e batata, arroz e seu vinho tinto preferido. Preparou a mesa como em uma ceia, pôs velas e deixou a casa inteira à meia luz. Alan chegou e surpreendeu-se, deu-lhe um beijo quente e disse o quanto a amava. Deixou sua pasta sobre o sofá, afrouxou sua gravata, tirou os sapatos e sentou-se. Deleitou-se com prazer, seus olhos estavam vibrantes e completamente voltados para Antônia. Ela então se levantou e disse que lhe faria uma massagem, ele relaxou e fechou os olhos. Mal podia imaginar que os fecharia pela ultima vez. Ela pegou calmamente a maior faca da gaveta que estava atrás de Alan e com um golpe só fez com que atravessasse sua garganta, e fez isso por várias vezes. Não se ouviu gritos, gemidos ou palavras, ele apenas caiu e ela como um animal em busca da caça o esfaqueava lentamente olhando em seus olhos vermelhos e o fez até que se fechassem. Ela não estava arrependida, afinal ela sabia que ele só poderia ser feliz com ela, ela estava o protegendo de ser infeliz sem ela ao seu lado para lhe dizer que o amava todos os dias. Quem o faria tão feliz se não ela?
Antônia só esqueceu de checar novamente seu e-mail para ter certeza de que era aquilo mesmo, de que o amor da sua vida pretendia viver longe dela e fazia isso pelas suas costas. Se por descuido de seu ódio e possessão tivesse retornado segundos depois de ter lido aquele e-mail teria lido: “Alan querido, me desculpe pela mensagem anterior, fiz uma enorme confusão! Quem manda ter o mesmo nome de meu marido..
Bom descanso. Aproveite o final de semana e mande um beijo para Antônia, precisamos marcar outro almoço! Abraços.”